quinta-feira, 25 de abril de 2013

RESENHA: DOCUMENTÁRIO “PRO DIA NASCER FELIZ”


RESENHA: DOCUMENTÁRIO “PRO DIA NASCER FELIZ”


Sinopse
Um panorama sobre as adversidades enfrentadas pelo adolescente brasileiro na escola.
Palavras-chave
Escola; Educação; Exclusão; Desigualdade Social; Violência; Aprendizagem; Relações Humanas

Este trabalho mostra uma apreciação do documentário dirigido por João Jardim “Pro dia nascer Feliz”, 2006, onde percebemos o sistema educacional brasileiro sendo descrito a luz de uma realidade escolar. No documentário podemos visualizar contextos sociais, econômicos e culturais, tudo sob uma perspectiva onde a realidade que constitui a estrutura educacional acaba sendo marcada pelo ponto de vista da instituição, do aluno, do professor e de certa forma, da família. Podemos ainda, entender que a intenção do diretor é o de demonstrar a grande lacuna que se estende entre as escolas públicas e privadas, bem como a relação do jovem estudante com a escola, dando ênfase na desigualdade social e na multiplicação da violência.
“...um país com 190 milhões de habitantes, um terço da população dispõe de condições de educação e vida comparáveis às de um país europeu. Outro terço, entretanto, se situa num nível extremamente modesto, comparáveis aos mais pobres padrões afro-asiáticos. O terço intermediário se aproxima mais do inferior que do superior”. (Hélio Jaguaribe, Folha de S. Paulo, 2008)

É notória a grande diferença social apresentada no documentário, tanto financeira, quanto cultural das escolas e regiões abordadas pelo diretor, entretanto, diante de um olhar mais apurado, percebemos também que os problemas estão presentes em todos os lugares do país, e vão se diferenciar, apenas nos aspectos culturais de uma região à outra. São problemas que certamente iremos encontrar em escolas de periferia do Centro-Oeste, Sul e região Norte do país.
O filme inicia mostrando cenas de 1962, onde o locutor faz a indagação sobre qual seria a melhor educação para os jovens da época! Época marcada por aglomerações de jovens revoltados e incorporados a um vandalismo desenfreado, onde muitos acabam passando por um ciclo em que, poucos conseguem o diploma do 2° grau e menos ainda, poucos conseguem a oportunidade de ingressarem em uma universidade.
Ø  Manari – Pernambuco – Escola Dias Lima
A escola em Pernambuco apresentada no documentário, vem nos mostrar algo por demasiado assustador. Embora muitos possam esperar tal coisa por se tratar de uma região menos favorecida, é lamentável o que acontece!  Um nível de educação de baixa qualidade, onde até os recursos didáticos são inexistentes. Podemos perceber um corpo docente sem uma formação adequada ou uma especialização que dê um suporte ao educador. Há uma carência muito grande de necessidades básicas, do tipo, a falta de estrutura, tanto das salas de aula como dos banheiros, totalmente inadequados para utilização. Há uma adolescente na ocasião que fala a respeito dessa precariedade, dizendo que não havia descarga no vaso, tampouco papel higiênico.
A realidade é exatamente a que escutamos no início, onde um servidor dizia que o pouco de verba que a escola ainda recebia para manutenção, a maior parte acabava indo para pagamentos de contador, para a própria prefeitura, IPTU, bem, impostos e mais impostos. Enfim, não sobrava praticamente nada para o investimento das escolas.
Vimos então, que a partir daí começa certo desinteresse dos estudantes em relação aos estudos, da mesma forma também, os professores em dar aulas. É difícil comentar um trecho em que Valéria diz que seus trabalhos não eram valorizados, pois os professores, com pouco conhecimento, simplesmente não acreditavam que era ela a autora de tais atividades. Isso mostra que há um claro despreparo em certas escolas, onde encontramos alunos que têm um alto padrão crítico e com muita sede de conhecimento!
Ø  Duque de Caxias – Rio de Janeiro – Colégio Estadual Guadalajara
O documentário retrata a realidade dessa escola em uma perspectiva bem crítica. É interessante acompanhar a trajetória do aluno Deivison Douglas e de como o conselho escolar se posicionou a respeito do aluno. Isso traz a tona uma questão de importância relevante, haja vista ser o assunto palco de muitas discussões, debates e até conferências.
Órgãos competentes recomendam que o aluno não seja reprovado, pelo menos nos três primeiros anos do ensino fundamental, avaliam a questão e como fica? O desafio então seria fazer com que os alunos aprendam.

“Os professores que têm as classes superlotadas, por exemplo, não têm os espaços necessários para que essas crianças possam participar de atividades que visem superar as dificuldades que elas têm” (Roberto Franklin de Leão, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Globo.com, 2011)


Voltando ao tal conselho de classe, percebia-se uma dúvida muito grande, onde a solução era reprovar Douglas e transformá-lo em um “monstro”, ou aprová-lo através de uma recuperação, dando assim, a motivação necessária para que a mudança fosse algo real em sua vida!
Apesar do relato do próprio jovem em narrar que era interessante andar armado, conhecer traficantes, dar uma volta no baile exibindo armas, “pô eu acho maneiro o cara tá no baile e tá com a arma”, ele diz que isso não o deixava influenciar para fazer o mal ou ingressar na vida criminosa. Isso, acredito que se deu muito ao acompanhamento do Núcleo  de Cultura da Escola que o ajudou a manter o comportamento que era dele mesmo!
Vimos como é importante na vida escolar todas as atividades educacionais em classe e extraclasse. Em um bairro subjulgado onde impera a “lei da droga”, “da bala”, da violência, percebemos que o mínimo de acompanhamento faz a diferença! Ao final o aluno acabou entrando para a o Exército Brasileiro.


Ø  Itaquaquecetuba – São Paulo
Essa escola já aduzia uma realidade diferenciada.  Apesar de uma melhora significativa em relação a parte visível dos estudantes e da própria estrutura da escola, muitos problemas permeavam o seio educacional. Há um caso sério de pobreza dentro da comunidade que determina, de certa forma, o desenvolvimento social das crianças. Isso ficou bem claro quando uma aluna disse sobre a impossibilidade de organizar um cinema ou um teatro na escola, já que ninguém poderia pagar ou contribuir com certa quantia.
Os problemas em relação ao interesse pelos estudos e disciplina dos alunos eram bem evidenciados, os professores se valiam do direito de faltarem ao expediente, o que culminava diversas vezes na liberação dos alunos bem mais cedo que o previsto, pois muitas vezes, nem “professores reservas” tinha para dar aula. Uma servidora da escola acaba fazendo um desabafo dizendo que não acreditava mais na educação: “Tá todo mundo cansado de ouvir os problemas da educação, mas ninguém faz nada.”
Ø  Bairro Alto de Pinheiros – São Paulo – Colégio Católico de Santa Cruz
Aqui a realidade é bem diferente, no entanto,vamos encontrar alguns problemas de cunho cultural e familiar. Trata-se de uma escola de classe social alta, onde os estudantes não encontram problemas relacionados a infraestrutura ou recursos diversos. Mas como o sol nasce para todos, existem problemas relacionados a solidão, problemas psicossomáticos, entre outros. A exemplo disso vimos o relato de Ciça que emocionada dizia estar sofrendo muito porque era discriminada por outros alunos que a julgavam estudiosa demais, e dessa forma, não tinha mais namorados.
Diante dessa realidade percebemos uma acentuada diferença entre os alunos de classes sociais bem desiguais; onde o pobre se preocupa como vai se alimentar, como vai retornar para casa, isto é, se vai retornar, tem que se preocupar com o trabalho fora e dentro de casa. Por outro lado, os alunos de classe média alta se lamentam por preocupações ociosas, como por exemplo o que as pessoas dizem a seu respeito, que faculdade escolherá, entre outros.
Ainda assim, existem muitos problemas relacionados à educação nessas instituições, pois muitos alunos estão interessados em outras coisas e não em estudar propriamente dito. Alguns tentam justificar o fraco desempenho por problemas familiares, como o divórcio dos pais ou falta de tempo para o relacionamento entre pais e filhos.
Ø  São Paulo – Escola Levi Carneiro
 Esta, aparentemente uma escola de classe média baixa, talvez, tenha como o seu principal problema a violência impetrada pelo tráfico de entorpecentes. Em um breve relato a professora Suzana, diretora da escola, comenta sobre os mais variados problemas familiares que acabam influindo na vida escolar do aluno. Pais que se misturam na vida do crime, mães espancadas ou traficantes, turbulência ou caos total dentro da estrutura familiar, gerando assim, uma problemática para o corpo docente e para o próprio aluno que enxerga a vida humana como algo banal.
É chocante os relatos dos alunos em meio aos caos existencial do grupo em que estão inseridos. Meninas, adolescentes que engravidam muito precocemente, e precisam para os estudos. Meninos que vão à escola sem perspectiva e acabam sendo influenciados por uma falsa sensação de ganhar dinheiro fácil, consequentemente ingressam na vida do crime. Jovens que matam por qualquer motivo, que não saem perdendo e que não levam desaforo pra casa. É possível ascender socialmente através dessa educação, ou a partir dela?
Ø  Conclusão
O maior clichê social do Brasil talvez seja que o país precisa investir em educação. A apreciação do filme e, em particular, cada escola, nos mostra que as diferenças existem. Vamos encontrar falhas na estrutura das escolas de todas as classes, onde muitas vezes, essa escola não está preparada para lidar com as diversas situações que o adolescente traz consigo.
Há um comodismo fora do normal no processo educativo e uma “maquiação” dos problemas encontrados, onde não se faz muito esforço para resolvê-los de vez, apenas procuram um jeito de maquiar a situação ou apenas passam a ignorar os problemas existentes.
Portanto, essa desigualdade social acaba expondo os alunos a uma realidade de pobreza e violência que culminam em uma medíocre educação promovida pelo estado.
De quem é a culpa? Os alunos dizem que é do professor e vice versa. Isso nos dá uma ideia de como está o nosso sistema educacional público. O documentário nos faz refletir sobre os indicadores e estatísticas encobertas por uma falsa melhora dos índices de educação.
Se existe uma verba para o investimento, onde ela está? Se o governo se preocupa com a formação do cidadão de amanhã, por que não dá condições dignas para o aluno, bem como meios salariais melhores aos nossos educadores para que se sintam valorizados e tenham como viver dignamente!
No inicio do filme vimos a importância com que Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca, o Frei Caneca, professor de filosofia, geometria e retórica, lutou por condições melhores e acabou sendo condenado a morte! É mais fácil eliminar quem quer lutar por seus direitos a eliminar os problemas verdadeiros!


Ficha Técnica:


Título Original: Pro Dia Nascer Feliz.
Origem: Brasil, 2006.
Direção: João Jardim.
Roteiro: João Jardim.
Produção: Flávio R. Tambellini e João Jardim.
Fotografia: Gustavo Hadba.
Edição: João Jardim.
Música: Dado Villa-Lobos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


Escândalos nas Igrejas!!!
É isso aí: estou farto de escândalos gospel. Basta! Nao aguento mais chegar na igreja ou na internet e, antes mesmo de escutar um “bom dia” ouvir de cara: “Soube da última?”.  Meu Deus, que está acontecendo conosco? Por que nós, o povo chamado para ser sal da terra e luz do mundo, vivemos caçando a última fofoca do meio evangélico, o mais recente disse-me-disse, o babado do momento?! Em que ponto a desgraça alheia se tornou tão importante para nós? Algo está errado conosco. Muito errado. E temos que mudar isso.
Na época de minha conversão eu me reunia com o grupo de jovens da minha igreja e conversávamos sobre assuntos essenciais da fé. Falávamos dos fundamentos do cristianismo, de operações do Espírito, de milagres, de testemunhos, dos nossos sonhos com Deus, das experiências que tivéramos aquela semana com o Senhor, daquilo que Jesus havia feito por nosso intermédio. Tirávamos dúvidas bíblicas, planejávamos estratégias evangelísticas e… orávamos! Orávamos muito. Por nossa igreja, nossos pastores, pelos departamentos da igreja, pela liderança, pelas atividades, pelos enfermos, pela salvação de almas. Por milhões de coisas que nos transportassem para a dimensão do Espírito. Tínhamos sede desesperada de Deus, Ele era nosso assunto predileto. Mesmo quando começávamos a falar de trivialidades, como futebol e outras perfumarias, a conversa acabava tomando um viés espiritual.
Mas hoje… hoje os irmãos se reúnem para comentar o último escândalo. Escândalos no ministério, então, fazem o maior sucesso: o pastor famoso da TV que enganou o povo com campanhas para comprar um jatinho. O pastor famoso do twitter que pregou heresias. O pastor emergente que lançou no youtube um vídeo irresponsável para promover seu último livro. O pastor que chamou outros pastores de “bundões”. O pastor que tinha caso com muitas meninas da igreja. O pastor que acusou outro pastor de ter casos com as recepcionistas de uma emissora de rádio. O pastor acusado que chama o acusador de “cachorro morto”. O pastor que adulterou. O adúltero que virou pastor. Escândalos, escândalos, escândalos.

Basta!

Outra fonte suculenta de escândalos é o meio artístico gospel. A cantora gospel que se arrastou pelo palco feito bicho. A cantora gospel que foi vista atracada com um homem no estúdio de gravação. O marido da cantora gospel que arranjou uma amante. O grupo gospel que foi cantar no Faustão por questões de marketing. A cantora gospel que falou mal da antiga gravadora num programa de auditório. O grupo gospel cujo solista rachou pra seguir carreira solo e ganhar mais dinheiro. O cantor que vem a público revelar que inventou profecias pra manipular o povo. Escândalos, escândalos, escândalos.

Basta!

E no campo da política então! Os escândalos dão a tônica: é o pastor-deputado que sai no tapa com grupos gays. É o deputado daquela igreja xis que foi pego roubando. É o deputado da “bancada evangélica” flagrado recebendo propina. É o senador evangélico pego em maracutaias. É o vereador evangélico que bateu boca em público. Escândalos, escândalos, escândalos!

Meu Deus! Basta!

Que escândalos ocorram é previsível. Sempre houve e sempre continuará havendo. Pois onde há homens há pecado e quando o pecado se torna público há escândalos. O problema não é esse, em essência. O problema é o que está havendo com os nossos corações. Por que razões nós adoramos esses escândalos?! Amamos falar dos que caíram. Apontamos o dedo para os que pecaram. Sorrimos com superioridade ao saber da queda daquele grande homem de Deus. Ficamos contentes de banir dos momentos de louvor o corinho daquele cantor gospel que foi pego fazendo o que não devia. Se sair em uma revista então! É a glória! Parece que o povo cristão tem sido acometido de um prazer sádico e sórdido de descobrir e comentar para o máximo possível de pessoas o último pecado que houve envolvendo alguma celebridade do meio evangélico. Quando deveria ser o contrário!
A Bíblia Sagrada nos ensina a chorar com os que choram. Por que em vez de sairmos comentando com todos os nossos irmãos sobre o pecado daquele pregador como velhinhas futriqueiras não nos lançamos sobre nossos joelhos e clamamos a Deus em meio a lágrimas pela restauração dele? A Palavra do Senhor nos ensina a tomar a adúltera pela mão, erguê-la da lama, dar-lhe amor e dizer “vai-te e não peques mais”. Mas o que temos feito? Se a adúltera já está com a cara na lama nós pisamos em sua cabeça e a afundamos ainda mais no lodo. Que vergonha que sinto de nós quando vejo isso acontecer!
Temos vivido o “evangelho” da videocassetada, em que morremos de rir com o irmão que se estabaca no chão. Mas Jesus nos diz para levantar o abatido! Temos de levantar quem caiu. Dar-lhe amor. Conduzi-lo ao arrependimento. Fazer dele novamente uma ovelha sem feridas, embora com cicatrizes. Mas o que temos feito? Temos enfiado nossos dedos nas chagas dos feridos e retorcido nossas mãos até que a ferida sangre novamente. Infeccione. E depois levamos nossas mãos ensanguentadas à igreja e as exibimos, orgulhosos, aos irmãos: “Já soube da última”?
Bem-aventurados os pacificadores, aqueles que trazem a paz em meio à tribulação, à desgraça, ao escândalo. Bem-aventurados os misericordiosos, aqueles que nutrem pesar profundo pela desventura do próximo. Mas temos sido perversos. Nunca oramos pelos que são pivôs dos escândalos. Quer ver? Quantas vezes você orou por aquele pastor que está pregando que Deus não está no controle de tudo? Quantas orações vocé já dirigiu ao Altíssimo suplicando que o pastor da TV que engana o povo com campanhas antibíblicas para arrecadar dinheiro se converta de seus maus caminhos, pare de pregar prosperidade e volte à vereda da justiça? Quantas lágrimas você derramou intercedendo por aquele político que se diz evangélico para que ele de fato venha a ser salvo pelo Senhor Jesus? Quantos minutos você dedica em oração por aquele ministério de louvor que se transformou numa empresa da música para que volte a ter como foco o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo? E agora compare: quanto tempo você passou comentando, criticando e alimentando o interesse por esses casos escandalosos?
Nós somos os culpados. Eu e você. Pois temos nos entretido sadicamente com os escândalos. Temos alimentado os escândalos em nossas conversas, tuitadas e blogadas.
Mas tenho buscado fugir deles. Sei que preciso avançar mais nesse sentido, pois ainda há em mim a semente do sadismo de pisar na cabeça do caído e espalhar aos quatro ventos o pecado dos outros, confesso. Talvez, refletindo freudianamente sobre isso, seja porque, ao fazer isso, eu me sinta um pouco mais normal por ser tão miserável como aqueles que são pivôs de escândalos. Mas fato é que de nossa boca não devem sair palavras torpes. E isso não se refere apenas a palavrões. Refere-se a palavras que não edificam. “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem” (Ef 4.29).
Temos de aprender a refrear a nossa língua. “A língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno” (Tg 3.5,6). E mais: a Bíblia deixa claro que vocé pode ser o cristão mais sem pecado do universo, mas se não consegue refrear a língua tudo o mais da sua fé é inútil, não serve para nada: “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!” (Tg 1.26). Você consegue perceber a seriedade disso? O peso que isso tem no mundo espiritual?
Não estou com isso dizendo que devemos varrer a sujeira para baixo do tapete. Esconder o que está errado não é a solução. Crimes e heresias devem ser denunciados. O grande problema dos escândalos é a nossa sede de sangue, nosso detestável prazer oculto e disfarçado de querer ver o circo pegar fogo. O prazer que nós, cristãos, eu e você, temos demonstrado ao diagnosticar a sujeira. E a satisfação que demonstramos ao propagar esses escândalos para as demais pessoas. Ao ouvir sobre a queda de um irmão, a primeira coisa que deveríamos pensar é “o que posso fazer para reerguê-lo?” e não “para quem posso contar que ele caiu?”.
Basta. Por favor, não venha me falar de escândalos entre evangélicos. Se quiserem que eu ajude a orar pelos que caíram ou se desviaram, contem comigo. Caso contrário, poupem meus ouvidos de toda sorte de sordidez perversa e sádica. Há males em nosso meio? Há. Há hereges e falsos pastores em nosso meio? Sim. Há artistas gospel mais preocupados com seus cachês do que com a exaltação do Altissimo? Muitos. Há bandidos, assassinos, pecadores, mentirosos e adúlteros em nossas igrejas? Aos montes. A pergunta que se faz necessária aqui é: como devemos reagir a isso? Jogando lenha na fogueira ou pacificando? Ajudando a apagar os incêndios e socorrer os feridos ou arremessando barris de gasolina nas chamas?
Temos reagido irresponsavelmente e de modo nada cristão ao alimentar essa multidão de escândalos. E, ao propagar os escândalos, quem se torna escândalo somos nós.


Por Maurício Zagari
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